Os Melhores Sites Para Aprender Teoria Musical
1 de novembro de 2018
Porque a Democracia está sendo Destruída Pela Era Digital
3 de novembro de 2018

 

O Rock Morreu porque se tornou Conservador e Acomodado

Em meados dos anos 90, algumas rádios paulistanas instituíram que 13 de julho começaria a ser o dia Internacional do Rock. A data não foi escolhida por acaso: ela remete ao festival Live Aid, que aconteceu nesse mesmo dia no ano de 1985. Apesar da megalomania da palavra “internacional” na efeméride, ela só é comemorada no Brasil mesmo. E ironicamente, desde que isso passou a existir, o estilo só perdeu espaço nas rádios e no circuito de shows. E não foi só por aqui. Isso é uma tendência mundial.

Não é uma tarefa fácil detectar os motivos que fizeram o gênero perder tanta relevância assim. O que não se pode desprezar, contudo, é que estamos falando de um gênero com 60 anos de existência. Para uma nova geração, soa tão cafona e ultrapassado como bossa nova ou chorinho soava para quem cresceu nos anos 80 e 90.

Mesmo Kurt Cobain, considerado o último grande rockstar, está morto há mais vinte anos. É um ícone bem distante para um millenial bombardeado diariamente por novidades do funk, do pop e de subcelebridades no YouTube e Spotify. Eles mal conseguem assimilar a produção atual, quanto mais buscar tudo o que já foi feito antes. E nem há interesse também. É um mundo novo, com novas formas de consumo e onde o rock não se adaptou completamente, apesar de ainda existir com certa força, principalmente fora do Brasil.

Resultado de imagem para guns n roses

Mas se for levar em conta os feitos do gênero nas duas últimas décadas, é claro como o pop e o hip hop no exterior, e o funk e o sertanejo aqui, roubaram completamente o protagonismo. Para ter uma ideia, pouco discos do estilo chegaram ao topo da Billboard desde os anos 2000 e se mantiveram lá por mais de uma semana: Hybrid Theory, do Linkin Park, e o homônimo álbum da banda Daughtry, que aqui no Brasil não conhecemos, são alguns deles.

As coisas mais relevantes que chegaram ao mainstream no mesmo período por aqui foram Los Hermanos, que apresentou uma proposta diferente esteticamente, e as bandas da cena emo/hardcore, como Fresno, NxZero e CPM 22, que souberam atingir ao topo no melhor estilo “faça você mesmo”. E isoladamente, a Pitty. Mas isso tudo teve seu auge há quase uma década. Desde então, só pequenos êxitos populares, como o surgimento da banda Malta.

Aliás, a banda Malta como um dos últimos respiros populares por aqui, prova o porquê do rock ter perdido a preferência dos jovens e do recorte mais transgressor e subversivo da população. Desde o fim dos anos 90, o que se percebe é que um gênero que representava movimento de resistência cultural, de contestação, foi se transformando cada vez mais em refúgio de conservadorismo e acomodação.

Resultado de imagem para scorpions

Basta ouvir um disco inteiro da Malta – o que eu não recomendo – e perceber que não soa diferente de nenhuma banda gospel ou dupla sertaneja romântica. Comparação semelhante pode ser realizada no exterior, onde os expoentes são o Coldplay na Inglaterra e o Nickelback e Avenged Sevenfold nos Estados Unidos. Ou seja: grupos que pouco ou nada adicionaram na renovação estética de um estilo que cada vez mais vive de emular o passado num eterno saudosismo cíclico.

A mídia também tem sua parcela de culpa ao tentar, a todo custo, descobrir uma nova salvação para o rock e simplesmente ignorar outras coisas interessantes e subversivas que surgiram em vertentes diferentes. Isso foi a norma, principalmente no início dos anos 2000, quando a imprensa em geral vivia um período de negação e inventava uma nova salvação do rock por semana. A maioria, a gente nem se recorda mais, tipo Jet, The Vines ou The Hives.

Algumas tiveram certo sucesso, mas não cumpriram esse papel de salvador, como Strokes, Kings of Leon, Muse, Queens Of The Stone Age, Foo Fighters, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, White Stripes e Libertines. Até hoje, elas mantém um fio de esperança entre os mais otimistas. Mas salvar mesmo, não salvou nada, pois não ajudaram a cria cenas e movimentos musicais relevantes. Talvez tenham até acelerado a percepção de que, salvo raras exceções, não há muito mais muito a fazer.

Coldplay4 O rock morreu porque se tornou conservador e acomodado

Isso porque inovação mesmo – e isso só foi notado com quase dez anos de atraso –  estava no hip hop, na música eletrônica, no pop e no funk. Foi só quando a mídia abandonou de vez essa busca pelo novo salvador do rock, que ficou claro que os jovens já haviam deslocado o interesse por outros sons e a vanguarda musical há anos não era mais baseada em guitarra, baixo e bateria.

Mas a pergunta clichê é: o rock vai morrer? Não tão cedo. No exterior, festivais do gênero continuam bem e muitas bandas e produtoras se organizam para criar eventos onde possam continuar tocando e excursionando. Alguns desses músicos mantém empregos formais paralelamente. Paciência. São novos tempos. Pouca coisa interessante esteticamente tem sido produzido nesses circuitos, mas é invejável o esforço dos músicos em continuar na ativa mesmo sem o interesses de grandes gravadoras e do público dominante.

Por aqui, a independência também revela poucas e boas bandas, mas a maioria está longe de fazer rock, como o Metá Metá. Ou pelo menos o rock que os tradicionalistas esperam ouvir. Felizmente, produtores de festivais brasileiros notaram já há alguns anos que reclamar de falta de espaço na mídia não ia adiantar nada se eles não se organizassem independentemente para trabalhar com música. No entanto, quem reclama da falta de produção no estilo, costuma desconhecer o que tem sido feito nesse circuito. E se conhecesse, não ia gostar também.

Esse é o tipo de pessoa que espera que a salvação do rock apareça num grande programa de auditório emulando a Legião Urbana para que ela não precise fazer esforço nenhum em conhecer coisas novas e nem para se adaptar a um som diferente. Nesse comodismo, vai continuar ouvindo Tiago Iorc e Henrique e Juliano involuntariamente. Ou pior: banda de motoclube que só copia tudo que já foi feito por outras bandas.

Já os nossos dinossauros dos anos 80, vivem basicamente de shows que parecem baile da saudade ou em eventos corporativos. E claro: de reclamar a perda de espaço. 30 anos após o auge, ícones desses período reclamam que o País e a música mudou. Estranho seria se tivesse tudo igual. E que ainda fossem os preferidos dos adolescentes. Garanto que na juventude, nenhum desses músicos ouvia Nelson Gonçalves e Vicente Celestino, que é o que basicamente o que se tornaram para quem nasceu da segunda metade dos anos 90 pra cá.

16 sites para aprender a tocar instrumentos gratuitamente

Deixe uma resposta

Login